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IRMANDADE ODINISTA

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Polêmicas no Heathendom

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Hails jah Haila!
ᚺᚨᛁᛚᛊ ᛃᚨᚺ ᚺᚨᛁᛚᚨ | 𐌷𐌰𐌹𐌻𐍃 𐌾𐌰𐌷 𐌷𐌰𐌹𐌻𐌰
Haila Frijonds jah Frijonjos Meina!
ᚺᚨᛁᛚᚨ ᚠᚱᛁᛃᛟᚾᛞᛊ ᛃᚨᚺ ᚠᚱᛁᛃᛟᚾᛃᛟᛊ ᛗᛖᛁᚾᚨ!
𐌷𐌰𐌹𐌻𐍃 𐍆𐍂𐌹𐌾𐍉𐌽𐌳𐍃 𐌾𐌰𐌷 𐍆𐍂𐌹𐌾𐍉𐌽𐌹𐍉𐍃 𐌼𐌴𐌹𐌽𐌰.

Polêmicas no Heathendom (Parte 1): Nossos Origens Históricas

De Doggerland e os Kurganes à grande jornada do povo godo e à profundidade da Gutizka Razda

Autora Original: Selene Ortiz Vázquez (H.O.S.F. México) | Tradução e Adaptação: Guðja Heidrekr Krähen (Clã Swartrkrahen • I.O.S.F. Brasil)

Este é um daqueles temas fascinantes que convém abordar devagar, na hora menos ajetreada do dia, acompanhado da petiscaria de nossa preferência e de uma boa tisana frutal. A história não precisa ser um fardo pesado, e menos ainda quando se trata de honrar os nossos ancestrais.

Na Irmandade Odinista do Sagrado Fogo (I.O.S.F), somos conhecidos por desafiar convenções históricas e explorar as possibilidades que cada descobrimento arqueológico oferece a respeito dos povos germânicos em geral. Nós não nos limitamos às migajas de informação que deixaram os cronistas cristãos e, por supuesto, tampouco tememos a "historia no escrita", pois é em detalhes como petroglifos, arte rupestre, sepulturas, simbologia, topónimos, costumes locais e folclore onde encontramos essa informação faltante.

1. Das Terras Submersas de Doggerland aos Kurganes

Petroglifos de Tanum na Suécia
Petroglifos rupestres da Idade do Bronze em Tanum (Suécia), testemunho visual da espiritualidade agrária dos antigos povos do norte.

Se quisermos averiguar por onde andavam nossos antepassados mais remotos, convém remontar a Doggerland, uma vasta extensão de terra (hoje sob o oceano) que entre 8000 e 6500 a.C. (aproximadamente) unia a Grã-Bretanha ao continente europeu Doggerland Ponte Terrestre: Região pré-histórica do Mar do Norte ocupada por povos caçadores-coletores mesolíticos antes de ser completamente inundada pela elevação do nível do mar após a última era glacial. . É de se esperar que uma área tão grande fosse habitada por povos proto-indoeuropeus até que um cataclismo de proporções catastróficas acabou por inundar a zona por volta de 6400 a.C., moldando a geografia atual da Europa. Este tema é fascinante e merece investigação a fundo.

Agora bem, se nosso interesse volta-se para as culturas desenvolvidas no Neolítico e na Idade do Bronze, chama a atenção o trabalho da arqueóloga Marija Gimbutas sobre a "hipótese dos kurganes como origem dos povos indoeuropeos", que abarca a longa trajetória dos túmulos sepulcrais (kurganes), desde as estepas do norte da Ásia Menor até o norte do Mar Negro Hipótese Kurgan Marija Gimbutas: Teoria arqueológica que associa a expansão das línguas indoeuropeias na Europa às migrações de povos pastores seminómadas das estepas pôntico-caspianas entre o quarto e o terceiro milénio a.C. . Essa teoria identifica quatro etapas da cultura kurgan, além da cultura Yamna. Todos esses povos nómadas e seminómadas deslocaram-se continuamente do quarto milénio a.C. até o primeiro milénio a.C.

Um panorama ainda mais amplo das migrações europeias é abarcado pela Cultura da Cerâmica Cordada (da Idade da Pedra até o final da Idade do Bronze), presente em quase todo o norte da Europa e em constante contato com as culturas Yamna e Baden. As hachas em formato de barco e o estilo característico dos vasos de embudo dessa fase mostram como esses desplazamentos impulsionaram o desenvolvimento de culturas e identidades próprias em cada povo europeu.

2. A Idade do Bronze e os Petroglifos de Götaland

Sabemos que os povos indoeuropeus dividiram-se em várias culturas e assentaram-se em diferentes pontos da Europa, movendo-se conforme as exigências climáticas. Em essência, a história da humanidade define-se por migrações, e o povo godo não seria exceção (de fato, a saga dos godos constitui uma imensa travessia que deu a volta em todo o continente europeu).

Página do Codex Argenteus em gótico
O testemunho da Gutizka Razda: fólio do Codex Argenteus, a Bíblia gótica do século VI.

Detenhamo-nos um pouco entre 3000 e 1500 a.C., período correspondente à Idade do Bronze, pois foi nessa janela temporal que se gravaram os petroglifos e a simbologia mais utilizada em nosso culto. Atrevo-me a dizer que os povos germânicos cimentaram sua identidade cultural e religiosa precisamente nessa parte da linha do tempo.

Dessa época encontramos gravuras que representam o sol e as estações (lembremos que eram povos essencialmente agrícolas), barcos sagrados, a simbologia ancestral do martelo, uniões matrimoniais, rituais com máscaras ceremoniais e até o clássico salto sobre a fogueira, tão característico das festas de verão. Vale a pena examinar a fundo os petroglifos de Tanum, as pedras da tumba do rei Kivik, o sítio de Högsbyn e as gravuras rupestres de Bohuslän. Cada uma dessas peças revela tantos detalhes que cada uma daria origem a um artigo independente.

Obviamente, essas relíquias arqueológicas oferecem um vislumbre da vida espiritual dos nossos antepassados. Parte desses descobrimentos pertence ao território de Götaland, na Suécia, região onde se assentaram diversos clãs conhecidos como godos ou gautas, origem histórica do próprio topónimo.

3. A Grande Travessia dos Godos e os Visigodos

Não vou me deter exaustivamente no que aconteceu quando este povo chegou ao sul do continente, mas imaginemos uma travessia gigantesca realizada ao longo de séculos: após deixarem o território escandinavo, contornaram o continente desde a Europa Oriental até Atenas e além, deixando pelo caminho artefatos de uso quotidiano. Acredita-se que os godos chegaram a constituir uma confederação de pelo menos dez tribos que partilhavam o mesmo idioma e os mesmos costumes.

As fontes escritas confirmam que o povo godo dividiu-se em três grandes ramos: visigodos, mesogodos e ostrogodos. Destes, foram os visigodos (também chamados tervingios, "o povo do bosque") que se assentaram na Hispânia durante a decadência do Império Romano, embora posteriormente tenham retornado ao leste, originando a Cultura Cherniajov (entre os séculos II e V d.C.), considerada uma confluência multiétnica entre godos, sármatas, dácios, getas, trácios e eslavos.

As crónicas contam que o rei godo Filimer (cuja trajetória foi narrada pelo erudito romano-godo Jordanes) viveu entre 145 e 197 d.C., conduzindo seu povo até a Escítia após duras batalhas territoriales. No entanto, o rei acabou por se enemistar com as völvas (as profetisas e magas), expulsando-as do território. Como consequência, refugiaram-se no norte, gerando uma linhagem temível associada aos Hunos. Sim, exatamente assim.

Evidências e iconografia mantiveram-se por toda a Alta Idade Média, preservando celebrasões autóctonas que os povos de herança germânica continuaram praticando mesmo após a cristianização forçada. Isso transparece em diversas ordenanças e sínodos eclesiásticos com que a Igreja tentou reprimir o "paganismo" popular.

4. O Testemunho da Língua: A Gutizka Razda

Fíbula aquiliforme visigótica
Fíbula visigótica em formato de águia (século VI, Espanha): arte e identidade tribal preservadas na Península Ibérica.

Existe um aspecto espiritual fundamental que ainda não mencionamos: a linguagem. Embora o único registro extenso da Gutizka Razda (a língua gótica) seja a famosa Bíblia de Wulfila (o Codex Argenteus) Codex Argenteus Manuscrito em Prata: Cópia do século VI da tradução do Evangelho feita pelo bispo gótico Wulfila em letras de prata e ouro sobre pergaminho púrpura, preservada na Universidade de Uppsala. , é através do significado das palavras e de seus campos semânticos que conseguimos decifrar com precisão o pensamento profundo deste povo. Costuma-se dizer que o idioma é uma radiografia fiel da mente coletiva de cada cultura.

Imaginemos a enorme dificuldade dos evangelizadores cristãos para encontrar um equivalente exato para a palavra "alma" na Gutizka Razda, uma vez que estes povos jamais conceberam o espírito como uma entidade unitária e isolada. Para eles, a alma compunha-se de várias partes, cada qual com funções ativas tanto na vida terrena quanto na morte. Se uma única palavra gerou tanto conflito nos tradutores antigos, imaginemos todo o sistema cosmológico. É essa imensidão que caracteriza a nossa espiritualidade.

Em suma, falar da história de nossos antepassados precristianos é aceitar que a essência deste povo transcende o alcance das fontes oficiais escritas e, sobretudo, reconhecer que, embora o termo "visigodo" tenha sido empregado de maneira mais tardia (século VI), é plenamente legítimo usá-lo para designar nossa vertente religiosa: o Odinismo Visigótico, pois é nele que reside o elo cultural que nos conecta diretamente com eles.

A história sempre será motivo de longas discussões e profundos debates, mas enquanto mantivermos a mente aberta, novos descobrimentos continuarão nos revelando pistas daquilo que buscamos. A regra é clara: jamais desistir e recordar sempre que tudo o que sabemos sobre nossa espiritualidade existe porque alguém se recusou a conformar-se com o que dizia um livro de história polvoriento.

Gutané Jér Weiháilag

ᚷᚢᛏᚨᚾᛖ ᛃᛖᚱ ᚹᛖᛁᚺᚨᛁᛚᚨᚷ

Selene Ortiz Vázquez ᛊᛖᛚᛖᚾᛖ ᛟᛃᛏᛁᛉ ᚢᚨᛉᚲᚢᛖᛉ H.O.S.F. • ᚺ.ᛟ.ᛊ.ᚠ. • México • ᛘᛖᚳᛋᛁᚳᚩ

Gutané Jér Weiháilag
Brasil

Nosso modo de vida está enraizado no sangue, na honra e no solo das terras de Óðinn, e não respondemos a ninguém além de nós mesmos!

Oðinn á yðr alla • ᛟᚦᛁᚾᚾ ᚨ ᛁᚦᚱ ᚨᛚᛚᚨ
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