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A Völva Além do Mito

Hails jah Haila!
ᚺᚨᛁᛚᛊ ᛃᚨᚺ ᚺᚨᛁᛚᚨ | 𐌷𐌰𐌹𐌻𐍃 𐌾𐌰𐌷 𐌷𐌰𐌹𐌻𐌰
Haila Frijonds jah Frijonjos Meina!
ᚺᚨᛁᛚᚨ ᚠᚱᛁᛃᛟᚾᛞᛊ ᛃᚨᚺ ᚠᚱᛁᛃᛟᚾᛃᛟᛊ ᛗᛖᛁᚾᚨ!
𐌷𐌰𐌹𐌻𐍃 𐍆ᚍፂ𐌹𐌾𐍉𐌽𐌳ᐍ 𐌾𐌰𐌷 𐍆ᚍፂ𐌹𐌾𐍉𐌽𐌹𐍉ᛃ 𐌼𐌴𐌹𐌽𐌰

A Völva Além do Mito

A dura preparação, o papel social ancestral e a magia no mundo moderno

Autora Original: Guðja Selene Ortiz Vázquez (H.O.S.F. México) | Tradução: I.O.S.F. Brasil

Sabemos que a völva é uma das figuras arquetípicas mais populares das culturas nórdica e germânica, que, apesar de suas constantes menções, continua envolta em mistério, dado que não há muita informação explícita nas fontes sobre como ocorria a formação espiritual dessas respeitáveis mulheres. No entanto, do que podemos estar convictos é de que elas não ganhavam o título frequentando esses retiros onde entretêm incautos com um monte de charlatanismo da Nova Era (New Age) para, no final, outorgar um diploma pomposo.

Pensemos um pouco sobre a preparação que essas mulheres (e, possivelmente, homens também) deviam ter para desenvolver habilidades tão peculiares: a völva era uma intermediária entre os vivos e os mortos que sempre carregava seu temível bastão, podia estabelecer contato com os seres dos demais mundos de Yggdrasill, tinha influência sobre certos fenômenos naturais, podia viajar ou lutar sob uma forma animal e era capaz de abençoar ou lançar poderosas maldições. Mas seu papel mais apreciado e citado nas fontes antigas é o de profetisa, sem esquecer sua poderosa influência sobre o Wyrd.

Fica claro que semelhante poder não pode ser desenvolvido em uma semana ou num curso de um mês. Pois, assim como a formação de um xamã (no sentido mais amplo da palavra), é provável que tudo isso envolva anos de trabalho duro e numerosos desafios. Além do que já foi mencionado, provavelmente essas pessoas deviam dominar outras artes complementares, como a detecção de linhas de força da terra (linhas ley), a herbolária e a confecção de amuletos de proteção, para citar alguns exemplos.

O Limbo Social e o Status da Völva

Mas então, qual era exatamente o lugar da völva nas sociedades nórdico-germânicas? Sabe-se que elas possuíam um comportamento nômade, ou seja, costumavam mover-se com liberdade entre as aldeias onde ofereciam seus serviços em troca de alojamento, comida e alguma outra compensação material. Naturalmente, todos cuidavam de recebê-las da melhor forma possível, pois, assim como eram extremamente apreciadas, também eram muito temidas.

Uma völva, pelo seu estilo de vida e características singulares, estava dentro e, ao mesmo tempo, fora da sociedade. Não sabemos com certeza, por exemplo, se era considerado um sinal de boa sorte uma criança apresentar qualidades mágicas como as mencionadas, pois isso a colocava automaticamente num limbo social: eram figuras vitais para o clã, mas ninguém podia tratá-las como pessoas ordinárias.

Em termos gerais, elas possuíam o privilégio de sentar-se no assento mais alto à mesa, a sua palavra era considerada de suma importância e não estavam obrigadas a prestar contas a ninguém, independentemente do status social de quem lhes falasse. Contudo, devido a esse mesmo estilo de vida e ao contexto social do seu tempo, era-lhes difícil manter um casamento tradicional ou formar uma família (embora isso não signifique, de forma alguma, que vivessem em celibato ou que não pudessem ter filhos).

É preciso entender que essas pessoas nasciam em lares livres (não eram escravos nem filhos destes); portanto, eram cidadãs de pleno direito. Mas os seus poderes as colocavam automaticamente no topo da escala social.

A Evidência Arqueológica e o Domínio do Seiðr

Convém aqui fazer uma divisão pontual entre os povos nórdicos e germânicos pré-cristãos e os vikings, pois são contextos muito diferentes.

Sobre a völva pré-cristã, podemos fazer suposições a partir de achados arqueológicos como os petróglifos de Bohuslän, na Suécia Petróglifos de Bohuslän Sítio Arqueológico Sueco: Região rica em gravuras rupestres da Idade do Bronze onde figuras com adornos peculiares e cenas cerimoniais revelam a profundidade do culto e da magia muito antes da Era Viking. , onde aparecem certas figuras que parecem ser mulheres com adornos de cabeça em forma de ave em atitude cerimonial, o que nos fala de uma forte organização religiosa. Por outro lado, nas fontes literárias (Eddas e Sagas), vemos que elas cumprem principalmente o papel de profetisas, e que até mesmo o próprio Óðinn as consultou. Mas se falarmos dos vikings, cuja sociedade havia deixado para trás a estrutura tribal para focar na criação de reinos centralizados, a völva nestes casos poderia ser até mesmo a esposa do líder — capaz de ver o futuro — ou a viajante itinerante já descrita. O maior mistério em tudo isso permanece: em algum momento houve comunidades organizadas com várias völvas atuando juntas ao estilo das sacerdotisas mediterrâneas? Em que momento exato passaram a ser figuras errantes?

O Seiðr é a forma mais ampla de englobar todo um campo semântico relacionado à feitiçaria O Seiðr Magia e Transe: O xamanismo do norte. Uma prática focada na alteração de consciência para moldar a probabilidade, comunicar-se com espíritos e alterar a realidade física e mental. . As völvas dominavam o seiðr, entravam em transe através de cantos — que podiam ser rimas harmoniosas ou sons guturais parecidos aos dos xamãs mongóis — e iam acompanhadas de um assistente que as ajudava durante esses lapsos de consciência.

E não, elas não saíam por aí fazendo "leituras" genéricas de runas na praça. Elas eram capazes de ler o vento, o voo de certas aves, as chamas num fogão ou o movimento da água para prever os acontecimentos. As runas faziam parte dos encantamentos operacionais, e não de um mero jogo oracular.

A divindade intimamente relacionada ao seiðr é Freyja, da estirpe dos Vanir, assim como seu irmão Freyr e sua mãe Frigg. Freyja possui dois tesouros com qualidades mágicas absolutas: o Brísingamen (um colar presumivelmente de âmbar que brilha como o tesouro mais impressionante dos deuses) e um manto de penas que pode transformar o seu portador em um falcão. Além disso, não se pode esquecer da personagem que iniciou a guerra entre os Æsir e os Vanir, a tremenda Gullveig Gullveig A Feiticeira Primordial: A figura misteriosa que foi queimada e trespassada por lanças três vezes no salão de Óðinn e renasceu as três vezes, dominando as artes obscuras do seiðr. , que domina a plenitude dessas artes. Convém destacar que os elfos (Álfar), vassalos de Freyr, também possuem essas qualidades — como a transformação em animais, a profecia, a medicina, o envio de pesadelos, as maldições, a imortalidade e certas atitudes que Loki aponta pontualmente no poema Lokasenna em tom de deboche.

A Völva e a Magia no Mundo Atual

Em resumo, podemos ver que a völva é uma personagem complexa cujo papel pode ter sofrido alterações ao longo da história dos povos nórdicos e germânicos, mas cuja essência se manteve intacta como uma pessoa cujas habilidades eram imprescindíveis para a sobrevivência das comunidades.

Mas agora vem a pergunta de um milhão: é possível que existam völvas nesta época?

Infelizmente, o estilo de vida atual está muito distante do contexto em que viveram essas mulheres de poder. Midgard mudou, precisamos aceitar isso; houve muita informação que se perdeu, a Tradição ramificou-se numa grande teia de caminhos (depois de séculos inteiros de perseguição) e, hoje em dia, acredito que ninguém pode se dar ao luxo de viajar oferecendo serviços místicos em troca de alojamento ou comida. A figura social da völva existiu no seu tempo; agora é um título que soa anacrônico e até pretensioso.

No entanto, isso não significa, de forma alguma, que precisemos do título para desenvolver a nossa magia.

Lembremos o que já foi muito repetido em outros textos: nós nos focamos na essência da Tradição e, sem dúvida, a völva faz parte de tudo isso. Nossos deuses existem, nossa fé está aí, apesar de uma imensa maioria do mundo nem sequer saber da nossa existência. Portanto, é perfeitamente possível que alguns tenham tais habilidades adormecidas que ainda não despertaram (porque estas coisas exigem tempo, dor e dedicação). Não é o mesmo cenário sociopolítico apresentado pelas fontes, mas, desde o momento em que escolhemos este caminho a sério, estamos despertando muito mais do que imaginamos no nosso interior.

Meu conselho em relação às inquietações que o assunto da völva desperta é simples: toda habilidade requer disciplina. Você não precisa que ninguém lhe diga que você é importante, e muito menos precisa ser membro de um "círculo exclusivo" (como esses que cobram mensalidades de permanência) para desenvolver o seu potencial. O importante é que você entenda que vive neste tempo e que Midgard precisa de você no presente, não no passado que você imagina.

Gutané Jér Weiháilag

ᚷᚢᛏᚨᚾᛖ ᛃᛖᚱ ᚹᛖᛁᚺᚨᛁᛚᚨᚷ
𐌲𐌿𐍄𐌰𐌽𐌴 𐌾𐌴𐌷 𐍅𐌴𐌹𐌷𐌰𐌹𐌻𐌰𐌲

Gudja Selene Ortiz Vázquez
ᛊᛖᛚᛖᚾᛖ ᛟᚱᛏᛁᛉ ᚢᚨᛉᚲᚢᛖᛉ
H.O.S.F.
ᚺ.ᛟ.ᛊ.ᚠ.
México
ᛗᛖᚲᛊᛁᚲᛟ
Gutané Jér Weiháilag
Brasil

Nosso modo de vida está enraizado no sangue, na honra e no solo das terras de Óðinn, e não respondemos a ninguém além de nós mesmos!

Oðinn á yðr alla • ᛟᚦᛁᚾᚾ ᚨ ᛁᚦᚱ ᚨᛚᛚᚨ
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