Visigoth Thiudisk

Hails Unsar Guda Ans jah Vans!
Hails Haithnu Thiuda!
Hail Brothru´s Visigodos!
Hails Irmandade Odinista do Sagrado Fogo!

Breve Histórico

Dentro das inúmeras variantes do heathno, uma das mais bem definidas que sempre existiram no Brasil foi o tribalismo visigodo. Enquanto muitas vezes asatruar costumam fazer uma confusão enorme da tradição que seguem. Misturando elementos do odinismo, do Theodismo e até mesmo da wicca, o que é bem comum. O Tribalismo Visigodo no Brasil sempre teve sua estrutura bem definida. Isso porque o Thiudisk brasileiro não é um movimento isolado, que capta quaisquer textos de quaisquer organizações. Apesar de que isso só costuma ficar claro após uma série de leituras e muitos desses textos só podem ser entendidos em conjunto. Todavia decidi escrever este para deixar claro o que é a fé visigoda no  Brasil.
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Países onde a Irmandade Odinista do Sagrado fogo está Presente. Foto retirada do grupo da Irmandade

O tribalismo visigodo (Visigoth Thiudisk) nasceu em 1997 com uma irmandade entre Brasil e México, a Irmandade Odinista do Sagrado Fogo. De lá pra cá se passaram 20 anos e pouca coisa mudou, mas muita coisa evoluiu sem dúvida. No Brasil Hoje temos três clãs e estamos espalhados em vários países da América. No Brasil essa história começou com o clã Falkar em São Paulo, com o tempo e as distâncias geográficas de um país de proporções continentais outros clãs foram surgindo. E este projeto foi tomando corpo como uma organização tribal, e uma comunidade dividida em clãs e unida pela bandeira visigoda.

Thiudisk

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Um par de fíbulas de forma águia encontradas em Tierra de Barros (Badajoz, sudoeste da Espanha), feitas de folha de ouro sobre bronze embutida com granadas, amitritas e vidro colorido. Pingentes usados pendurados nos laços na parte inferior. A águia, um símbolo popular durante o período de Migração, foi muito usado pelos godos. Fíbulas similares em forma de águia foram escavadas de sepulturas visigóticas em Espanha e sepulturas ostrogóticas no norte da Itália, mas esse par é um dos melhores. Esta fíbula teria sido usada ao mesmo tempo para prender uma capa em ambos os ombros.

Thiudisk em língua goda é o mesmo que Theodish em língua anglo saxônica, e tribalismo em português. Os antigos povos germânicos não tinham um nome para si como os conhecemos hoje mas usavam o termo que depois de séculos aportuguesado conhecemos como teutão. Este termo advém da forma como os germânicos se referiam ao seu povo, Theod. Originário do Proto-Germanico *þeudō, e do Proto-Indo-Europeu *tewtéh₂. Significa, povo, tribo, nação. Até hoje os alemães se conhecem como Deutsch e os holandeses como dutch. Os visigodos se conheciam como Thiuda ou Guthiuda.

Thiudisk então é a forma do tribalismo visigodo nos tempos modernos, assim como o Theodismo para os ingleses e estadosunidenses. Acreditamos que não temos necessidade de recorrer ao asatru viking islandês, nem mesmo às variadas formas de ecletismo e universalismo que impregnaram no heathen brasileiro, e que sofrem uma forte influência de religiões alienígenas. Apenas para fins de exemplo usaremos a wicca e o budismo e hinduísmo em suas versões ocidentais.

Dessa forma, somos contra o ecletismo, o universalismo, new age e outras práticas similares. Não podemos aceitar ideologias que busquem tornar todas as religiões iguais, empobrecendo-as. Ao contrário, vemos em cada uma crença, fonte inesgotável de conhecimento próprio e sabedoria. Como será explicado em outro texto futuramente.

Guthiuda

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Domínio dos visigodos e suevos no séc V

Guthiuda ou Gut Thiud é a tribo germânica dos godos. Sua origem remonta à ilha de Gotland, descoberta por Tjalfar e ocupada por seus filhos. A Gutasaga conta que a ilha costumava ser tragada pelo mar e sempre voltava à superfície pelo dia.

A tribo goda ocupava no fim do século IV todo o território do sul da atual Suécia. No começo do século uma parte da tribo, liderada pelos Thervingos, havia atravessado o mar Báltico e se encontrava no continente Europeu, em uma região próxima do que hoje é a Polonia. A Partir daí, os godos passaram por uma série de embates e migrações. Parte de dessa história é contada na saga dos nibelungos e na Volsungasaga. A Historiografia sabe hoje que houve além de embates, uma riquíssima troca cultural.

Povos inteiros eram adotados pelos godos. O que leva os historiadores modernos a considera-los como uma confederação germânica. O mesmo ocorre com os Francos. Além de pequenas tribos germânicas, algumas comunidades eslavas e polonesas também seguiram os godos. A Gutiuda se tornava cada vez mais uma tribo maior e mais forte, além de ter uma cultura enriquecida por aqueles que eram adotados. Até os Hunos se tornaram um pouco godos. Attila é um nome de origem gótica, e significa “paizinho”, é um apelido carinhoso para pai, como dad em inglês.

A Religião dos Godos

21034431_1462151523880920_442227316951192773_n-300x169 Visigoth ThiudiskAssim como os Theodistas anglo saxões, o Thiudisk também é tribal. Acreditamos que devemos cultuar os deuses como os visigodos faziam. Devemos reviver seus costumes. Mas não só isso. A sociedade e estrutura social é importante.  Assim como os japoneses e escoceses mantém os seus clãs, devemos fazê-lo também.

Os godos cultuavam os deuses em festas especiais que chamavam de Dulths, no qual faziam Bloths, sacrifícios. Cada comunidade era presidida no conselho por um Gudja, i. e. um sacerdote. Sabe-se também que os godos costumavam cantar suas canções sagradas. O Gudja era responsável não só pelas festividades. As questões cívicas também eram dever do sacerdote. Nascimento, casamento (Liuga) e funeral (usfilh, gafilh) tinham o mesmo peso e também eram seus encargos.

A palavra deus em si (god) é conhecida com a palavra gótica Guth para um ídolo (presumivelmente uma estátua de madeira como a desfilada por Winguric em uma carruagem quando desafiou os cristãos góticos a adorar os deuses tribais, executando-os depois que recusaram). Tornou-se a palavra para o Deus cristão na Bíblia gótica de Wulfila e posteriormente em quase todas as línguas, alterando seu gênero gramatical de neutro para masculino apenas neste único sentido. O nome dos próprios godos está presumivelmente relacionado, significando “aqueles que libram” (enquanto o ídolo de Guth é o objeto do ato de libação). As palavras para “sacrificar” e para “sacrificador” foram blotanas e blostreis.

Uma crença dos godos nas bruxas é atestada com a história do haliurun (n) (cf Anglo-saxônico hellrúne ) que foram expulsos da tribo pelo rei Filimer, após o que se acasalaram com espíritos malignos e deram à luz os Huns.

Deidades 

Em relação aos deuses adorados entre os godos, muito pouco pode ser dito com certeza. Eles tinham um culto de um deus da guerra, o Tiwaz germânico, talvez (com base nos nomes das letras ) chamado * Teiws na língua goda, entre os Tervingi, talvez também conhecido como “Terwigg” , como o suposto antepassado homónimo da tribo. Outro deus importante pode ter sido chamado de Fairguneis , identificado com Roman Jupiter. Então, havia Gaut ou Gapt , o antepassado da dinastia Amali , e presumivelmente epónimo de todo o povo dos “godos”; o antigo nordico Gaut nos séculos posteriores foi considerado uma manifestação de Odin na Escandinávia. Também pode ser significativo que, na tradição das eddas, Odin ele próprio tenha vindo do norte da região russa, ou seja, das terras anteriormente habitadas pelos godos.

Se Gapt fosse o antepassado original, mais tarde identificado com Wodan-Odin , o nome da runa goda *ansuz (aza) pode testemunhar sua importância. Finalmente, podemos dar testemunho da existência do deus Ingwaz entre os godos, mas não há evidências adicionais para isso. O rio Danúbio também pode ter sido deificado, como * Donaws . À luz das evidências comparativas das formas posteriores do heathendry germânico , parece possível que a “trindade germânica” de Wodan-Tiwaz-Thonar tenha tido um paralelo entre os godos, com Gapt, Teiws e Fairguneis.

Usos e Costumes

Também buscamos manter as práticas dos godos nos nosso dias. Isto quer dizer que sempre que podemos, escrevemos em língua goda, que usamos as runas godas, e que chamamos os deuses pelos nomes que eram chamados na língua goda. Logo, usamos Vodans e não Odin, Thurns e não Thor etc. Criamos músicas e orações na língua falada pelos antigos visigodos. Dessa forma, nos sentimos conectados aos nossos ancestrais.

Os godos eram um povo que viajavam muito. Não eram ligados a nenhuma terra de forma fixa. Não eram etnicamente homogêneos também. Mas sabiam que o que dava identidade a tribo era a sua cultura, sua religião e sua fé em um ancestral comum. Assim fazemos nos dias atuais.

Thiudisk Moderno

Por fim, falemos de como nos organizamos e pensamos. A Irmandade Odinista do Sagrado Fogo se afirma como o renascer da tribo visigoda nos dias modernos. A Irmandade é uma tribo, que se dividem em clãs, e este é formado por famílias e indivíduos que são aceitos e adotados pelo clã (Kunja). Não acreditamos que somos os visigodos do passado. Mas somos filhos distantes daqueles que criaram a identidade ibérica moderna. Somos Ibero americanos e europeus que sentimos o dever de dar unidade à tribo.

Acreditamos que temos o dever de restaurar a fé visigoda o mais próxima possível. Sim, sabemos que ela não seria mais hoje a mesma e que cultura muda o tempo todo. Mas também temos o dever de viver da forma mais autentica possível. Para que a fé possa voltar a evoluir normalmente e com historicidade, precisamos dar aos nossos filhos uma criação mais próxima daquela que acreditamos que foi. Nossos filhos serão heathens criados por pais convertidos ao heathendry. Por isso afirmamos que o sucesso, ou o fracasso dos nossos esforços só será notado na terceira geração. Apenas a partir dos nossos netos é que o Thiudisk voltará a evoluir e se modificar com historicidade.

 

Gutane jeh Weihailag

 

“Náus, láusjan uh síwala,

aha and hardus,

Aistan, Blöþ and Fadreins

faírraprö sa aguja uh unsar atta Vodan”

“Guerreiros de Alma Livre

Mente e Coração

Honra, Sangue e glória

Desde terra de nosso Pai Vodan”

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